Turismo do RN sai em defesa da engorda de Ponta Negra e alerta: “obra é vital para economia”

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A engorda da praia de Ponta Negra não sai de pauta. Concluída no final de janeiro de 2025, a intervenção foi necessária para conter a erosão causada pelo avanço do mar e preservar o Morro do Careca. Em meio a discussões acaloradas permeando o cenário político de Natal, representantes do turismo potiguar defendem a engorda e alertam: “obra é vital para economia”.

No início do mês, o BNews RN publicou uma série de reportagens sobre o tema, nas quais o ecólogo Thiago Mesquita, titular da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (SEMURB), revela detalhes sobre o passado, o presente e o futuro da engorda. Desta vez, a abordagem é com setores que movimentam e fomentam o turismo do estado.

Abaixo, conheça a opinião dos presidentes do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Rio Grande do Norte (SHRBSRN) e da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio Grande do Norte (ABIH-RN). Eles falam  sobre as mudanças, reflexos e os principais impactos que a engorda de Ponta Negra tem causado na região e na vida das pessoas. Confira:

Uma Ponta Negra linda, reordenada e livre da erosão costeira

Grace Gosson é presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Rio Grande do Norte (SHRBSRN). Para ela, o setor tem registrado um fluxo maior de pessoas com o aumento da faixa de areia.

“Já é possível observar maior atração de público para eventos esportivos, religiosos e para o lazer na praia, uma vez que, antes da engorda, o uso da praia ficava bastante limitado quando as marés estavam altas”.

Porém, a presidente ressalta que é possível fazer mais pelo turismo da região. “Ainda existe potencial de crescimento com a esperada reurbanização da praia de Ponta Negra, por meio do projeto que o Município de Natal pretende desenvolver e executar”.

Gosson destaca também que a engorda permitiu que a praia de Ponta Negra ganhasse uma faixa de areia maior e, consequentemente, maior circulação de pessoas durante todo o dia e à noite.

“Para mim, a principal diferença após a engorda foi a proteção do nosso maior cartão-postal, o Morro do Careca, contra a erosão marítima, que se encontrava em nível avançado e muito preocupante”, pontuou.

“Embora ainda falte a conclusão da drenagem e a execução do projeto de reurbanização, a situação é, ainda assim, bem melhor do que a que enfrentávamos antes da engorda”, acrescentou.

Sobre o antes e o depois da engorda, a presidente do SHRBSRN disse que os hóspedes e clientes dos hotéis, bares e restaurantes de Ponta Negra reclamavam da limitação para utilizar a praia nas marés cheias, e também da erosão no Morro do Careca. O avanço do mar sobre o calçadão e os empreendimentos à beira-mar também preocupavam bastante. Agora é diferente:

“Com a engorda, os turistas elogiam o visual mais amplo e o maior espaço para aproveitar a praia, embora reclamem da qualidade da nova areia”.

“A engorda de Ponta Negra foi uma necessidade para a manutenção do maior cartão-postal de nossa cidade e para a continuidade do uso da praia. Hoje é uma realidade; não há mais como voltar no tempo. Portanto, cabe a todos contribuir para que o Poder Público tome as melhores decisões, de forma que tenhamos sempre uma Ponta Negra linda, reordenada e livre da erosão costeira”, concluiu Grace Gosson.

Proteção econômica do turismo de Natal

Para Edmar Gadelha, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio Grande do Norte (ABIH-RN), os hotéis, bares e restaurantes de Natal, em especial os localizados na praia de Ponta Negra, já estão sentindo um aumento na circulação de pessoas na orla e maior permanência dos turistas no espaço da praia.

“Isso gera impacto direto no consumo, na ocupação hoteleira e na confiança do setor privado em voltar a investir”, afirmou. E ele acrescentou:

“A engorda não é apenas uma obra de infraestrutura. Ela representa uma ação estratégica de proteção econômica do turismo de Natal.”

Com relação a principal diferença após a engorda, Gadelha foi enfático. Ele disse que antes da obra, Ponta Negra enfrentava um processo severo de erosão. Agora, a realidade é outra.

“Em vários trechos, praticamente não existia faixa de areia em determinados horários da maré. Isso comprometia a experiência turística, afetava a operação de bares e dificultava até a circulação de visitantes”, recorda. “A principal diferença, agora, é justamente a recuperação da praia como espaço de convivência, lazer e atividade econômica”, pontuou.

“Hoje existe uma praia mais ampla, mais segura, mais funcional e visualmente mais atrativa”.

Porém, ainda de acordo com o presidente da ABIH-RN, “é importante destacar que a obra ainda passa por intervenções complementares, principalmente na área de drenagem, para enfrentar os pontos de alagamento que vêm sendo registrados em alguns trechos da praia após a engorda”.

Sobre o sentimento das pessoas que frequentam e usufruem da estrutura turística na região, Gadelha afirmou que o aumento da faixa de areia é um ponto positivo para turistas, potiguares e comerciantes que atuam diariamente naquela região.

“Sem dúvida. Essas percepções têm sido observadas tanto por meio de matérias veiculadas nos meios de comunicação, mostrando a percepção dos turistas sobre a nova faixa de areia, quanto pelos próprios associados da ABIH-RN que possuem meios de hospedagem nas proximidades de Ponta Negra”.

“Agora, reforçamos o que a Prefeitura de Natal vem informando: a obra passa por etapas complementares importantes, especialmente no quesito da drenagem, além do futuro projeto urbanístico e paisagístico da orla, definido por meio de concurso nacional realizado pelo IAB. Ou seja, a transformação de Ponta Negra não se resume apenas à engorda da praia, mas faz parte de um projeto mais amplo de requalificação urbana e turística”, acrescentou.

Preservação de empregos e turismo competitivo

Gadelha disse também que toda grande intervenção urbana gera debate, questionamentos e desconfiança. “Isso é natural. Mas é importante analisar os resultados concretos e entender que a engorda era uma necessidade, não uma opção”.

“Se nada fosse feito, o processo de erosão avançaria ainda mais, trazendo prejuízos econômicos, ambientais e turísticos para Natal”.

“A obra precisa ser acompanhada, monitorada e receber manutenção técnica ao longo do tempo, como acontece em diversos destinos turísticos do mundo. Para tanto, é fundamental que exista união entre o poder público, setor produtivo, comerciantes e população para que a engorda de Ponta Negra siga avançando com todos os processos complementares necessários”.

“Ponta Negra é um patrimônio econômico e afetivo do Rio Grande do Norte. Preservar aquela área significa preservar empregos, investimentos e a competitividade do nosso turismo”, finalizou o presidente da ABIH no RN.

Prefeitura promete acabar com os "espelhos d’água"

A Prefeitura de Natal promete acabar com os “espelhos d’água” que se formam ao longo da faixa de areia da praia sempre que ocorrem chuvas de grande intensidade. A água empoçada tem motivado muitas críticas. 

Para dar fim aos pontos de alagamento, está prevista uma nova etapa de intervenções em Praia de Ponta Negra. Segundo a secretária municipal de Infraestrutura, Shirley Cavalcanti, o cronograma prevê obras complementares de drenagem. Os serviços devem demorar até cinco meses. 

A engorda de Ponta Negra

A engorda da praia de Ponta Negra custou aproximadamente R$ 100 milhões em recursos federais e municipais. A obra cobriu cerca de 4 km de orla, do Morro do Careca até o início da Via Costeira. Ao todo, foram utilizados mais de 1 milhão de metros cúbicos de sedimentos, retirados de uma jazida localizada no fundo do mar, a cerca de 10 km de distância da costa. A intervenção aumentou a faixa de areia da praia em aproximadamente 100 metros na maré baixa e 50 metros na maré cheia.

Fonte: B News RN

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